Ibiza weekend!

Hello friends,

Quando se fala em Ibiza, qual a primeira coisa que você pensa? Se não pensa em festa, pensa em praia. Durante 3, 4 meses do ano, essa pequena e famosa ilha situada no leste da Espanha se transforma em um centro mundial de festas, baladas e curtição por 24 horas diárias. Eis que Viajante Bob encontra uma rota no meio de sua Eurotrip e consegue encaixar um final de semana no local. O mês, outubro. Como as festas na cidade se encerram em setembro, já dava para imaginar que o cenário que meus olhos veriam seria totalmente diferente do que é a essência que faz de Ibiza um dos locais mais procurados por turistas do mundo inteiro no verão. Completamente vazia, a cidade ainda abrigava vestígios do alta temporada: outdoors e cartazes de festas, pequenas estruturas montadas na praia e por aí vai. 20 e poucos graus. Um clima gostoso e bucólico. Tinha ouvido falar que o único Nightclub que estava aberto na cidade era a famosa Pacha, que eu já havia ido em Madrid. Tentei ir ao local mas, além de caro, o movimento estava muito fraco. No caminho, vários caras chatos me ofereceram drogas e prostitutas. Mesmo se eu quisesse me render a promiscuidade não daria, já que meus euros no bolso já não estavam mais bonitos como no começo de Eurotrip, pois estava quase no fim de uma longa viagem por vários países (já tinha ido para Paris, Berlim e Roma), além do fato de que eu ainda iria para Barcelona depois. Bom, então o que posso dizer sobre esse final de semana na ilha da badalação? Foram 2 dias relaxando e vivendo uma vida de gringo aposentado. Me hospedei em um apartamento com piscina de frente para o mar, bebi San Miguel vendo o pôr do Sol, desbravei algumas praias ao redor de onde fiquei hospedado (estava na Playa d’en Bossa), enfim, um fim de semana totalmente relax. Em uma tarde sentado na areia da praia, um professor espanhol de Windsurf ofereceu algumas aulas para mim e me chamou a atenção pelo português fluente. Seu nome é Ascanio e ele disse ter trabalhado no Brasil por um tempo. Segundo ele, essa época após as festas é a que ele mais gosta, pois o local no verão é um descontrole total. Sem lei, sem regras. Disse que os melhores clientes dele vêm praticar Windsurf nessa época do ano, em que há mais tranquilidade para a prática do esporte, além das condições climáticas também favorecerem. No mais, o centro da cidade em particular me chamou a atenção por ter uma ambientação similar a de Las Vegas: muitas luzes, hotéis de luxo, cassinos. Deu para ter uma idéia da como esse lugar deve se transformar no verão. Enfim, foi um fim de semana muito bacana, um quebra gelo na minha Eurotrip, já que finalmente pude usar bermudas e entrar no mar depois de um bom tempo acostumado com roupas de frio. Pena que ainda mantive a minha coloração bicolor, pois não deu tempo de bronzear legal. Como de praxe, para complementar, seguem abaixo os 2 vídeos da minha estadia no local. No próximo post sobre viagens falarei sobre Berlim. Enjoy it!

See ya!

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London, London!

Hey amigos,

Os vídeos da minha passagem por Londres já estão disponíveis. Foram 3 dias na terra da rainha, contando com a presença do amigo Ciro Franklin, que passou uns dias na Europa com a gente. Londres é sensacional. Uma cidade imensa, bem cuidada e com inúmeras atrações. É possível ver obras inacabadas em todos os cantos da cidade, muitas em razão dos Jogos Olímpicos de 2012, em que a cidade será sede. Não há dúvidas que o evento será colossal e bem executado no local, já que Londres esbanja organização. O tempo estava excelente e deu para aproveitar bastante. Infelizmente não deu para fazer imagens no famoso museu de cera Madame Tussauds. Mas as fotos estão disponíveis no meu Facebook, que você pode acessar na seção Contato do site. Sem mais delongas, seguem abaixo os 2 vídeos!

See ya!

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Dude, we are lost.

O título é familiar para quem conhece o seriado Lost. Esse post fará mais sentido para quem já o assistiu. Há tempos venho pensando nessa metáfora. Primeiro dia de dezembro, noite gelada marcando 7 graus e aqui ainda estou, na ilha, digitando esse texto. Sim, a Irlanda é uma ilha. E as semelhanças com a ilha do seriado citado, guardadas as devidas proporções e interpretações, soam interessantes. Todo mundo que vem para cá tem uma história de vida para contar. Nenhuma delas é menos interessante que outra. Esses personagens que compõem toda essa trama chegam e saem, deixando um pouco de si, ou mesmo nada. Interferem na vida de outras de forma negativa ou positiva. Nesses quase 10 meses de intercâmbio conheci pessoas que vieram para cá e não alcançaram seus objetivos. Outras não tinham nada no Brasil e triunfaram aqui. Conheci pessoas que sofreram para saírem dessa ilha, com medo do que o “outro lado do mundo” estava reservando. Outras que não viam a hora de serem “resgatadas” e voltarem para suas zonas de conforto em suas respectivas casas. E como no seriado, outras que voltaram para a ilha, muitas vezes sem saber o porque, somente com aquela intuição de que há alguma coisa que vai fazer sentido para a vida dela. As coisas por aqui acontecem em uma velocidade alta. Difícil ter muito tempo para parar e pensar. Você simplesmente precisa sobreviver, mesmo que tenha uma família que te ajude do outro lado do mundo. Sobreviver não é apenas matar a fome e pagar o aluguel. Precisa aprender a conviver em grupo, a abdicar de amarras mentais em determinados momentos, a estender a mão para uma pessoa quando ela precisar….ou até mesmo se calar e aguardar as consequências, que sempre chegam. Estamos sempre “perdidos” por aqui. E acredito que essa experiência, por mais que a pessoa não sinta a curto prazo, deixa marcas eternas, seja por um simples aprendizado do dia a dia, ou pelo fato de conhecer pessoas e agarrar oportunidades que irão interferir no rumo da sua vida para sempre. Sou do grupo que ainda não acha que a ilha já deu o suficiente para que eu possa ser resgatado. É por isso que ainda resolvi ficar mais um tempo, mesmo vendo várias pessoas do meu círculo a deixando, mesmo sofrendo algumas consequências. Acredito que todos sabem a hora de deixá-la e eu quero fazer isso com o sentimento de que tudo que foi possível ser feito, eu fiz. Aquela coisa de olhar para trás e pensar que toda essa trajetória teve que acontecer do jeito que aconteceu, mesmo que você não sinta o efeito instantâneo. E ele com certeza aparece, de um jeito ou de outro. Positivo, neutro, negativo? Os 3 tipos. Qual deles irá destacar dependerá de como o “sobrevivente” canalizará tudo o que ele viveu.

See you in another post, Brothas…

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Eurotrip!

Hello friends,

4 países, 5 cidades, 14 dias. É chegada a hora da planejada Eurotrip, configurada como a maior rodada de viagens seguidas de Viajante Bob. Sem mais delongas, segue abaixo a rota detalhada, que começa amanhã:


PARIS – FRANÇA
Data: 11, 12, 13 e 14 de outubro

No dia 14 de outubro pegarei um vôo até Oslo, Noruega. Não visitarei a cidade, dormirei no aeroporto e a usarei como conexão até o próximo destino:

BERLIM – ALEMANHA
Data: 15, 16 e 17 de outubro

No dia 17 de outubro, mais uma vez embarcarei em direção a Oslo (perceba que esse local é uma ótima artimanha para conexões baratas), onde dormirei novamente no aeroporto e no dia seguinte seguirei rumo ao terceiro destino:

ROMA – ITÁLIA
Data: 18, 19, 20 e 21 de outubro

Na próxima etapa, acabam-se as conexões com Oslo e seguirei rumo a um país já visitado:

IBIZA E BARCELONA – ESPANHA
Data: 22 e 23 de outubro – Ibiza / 24 e 25 de outubro – Barcelona

E finalmente, no dia 25 de outubro, voltarei para Dublin, cheio de histórias que vocês lerão em breve!

Custo total das passagens: € 130 (acredite. Thanks Ryanair!)

See ya!!

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Inglaterra – 1 dia na casa dos Beatles!

Hello,

Segue o vídeo do dia que passei em Liverpool, na Inglaterra. O tempo era curto, mas foi o suficiente para conhecer bem a cidade, que respira Beatles em todas as esquinas. Recomendo muito!

See ya!

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Brasil e Irlanda: um olhar sobre algumas diferenças

Hello friends,

Com quase 8 meses de intercâmbio acho que posso tirar algumas conclusões sobre as reais diferenças de se viver por aqui e em nosso “amado” país. As aspas foram providenciais, já que o brasileiro tem o estranho hábito de falar que tem orgulho do seu país, de se doer de raiva quando algum gringo fala mal e, paralelamente, metem o pau fervorosamente em outras questões discutíveis e tratam esses mesmos gringos como se fossem seres superiores de outro planeta quando eles rondam pelo Brasil. Enfim, escolhi 4 temas e vou falar um pouco sobre alguns deles abaixo.

Segurança

Óbvio, uma diferença gritante. Tá certo que Dublin não é lá uma grande cidade como São Paulo e Belo Horizonte, mas as diferenças são grandes. A única vez que andei de táxi aqui foi no dia 12 de fevereiro, quando cheguei e não sabia como chegar até a acomodaçao da escola. Nesses meses, todas as vezes que saí a noite eu voltei a pé. Sendo 2, 3 ou 4 horas da madrugada, você pode andar tranquilamente, sem nenhum receio. No Brasil, fazer isso é pedir para correr o risco de voltar para casa só de cueca. Tá certo que aqui existem os “Knackers”, adolescentes revoltados que fazem arruaça, já citado em um dos meus primeiros posts. Eles incomodam e já ouvi relatos de alguns casos sérios de pessoas sendo agredidas (raramente), mas nada se compara a violência em nosso país, que não necessita de apresentação, pois é de conhecimentos de todos. Porém, esse problema no Brasil está enraizado em uma questão social, de descaso e falta de oportunidade. Aqui o governo banca, dando um dinheiro semanal para a família desses moleques até eles completarem 18 anos de idade. Enfim, total falta de vergonha na cara deles e dos respectivos pais.

Custo de vida e poder de compra

Outra diferença considerável. O salário mínimo aqui é de € 8.65 por hora (há boatos que iria cair para € 7.65, mas isso depende do empregador e a maioria ainda paga o primeiro valor). Considerando que uma pessoa trabalha 8 horas por dia de segunda a sexta, no fim do mês ela terá por volta de € 1300 na conta. Atualmente no Brasil o salário mínimo é de R$ 545. A diferença por si só já é grande. E se torna ainda maior por um fator determinante no assunto: o poder de compra. Com € 1300 aqui uma pessoa solteira paga um aluguel em um bom apartamento, come bem, compra suas coisas e ainda viaja para alguns locais com tranquilidade. Esse último fator é o que mais me impressionou. Acredite: viajar de Belo Horizonte para São Paulo de ônibus pode ser 4, 5 vezes mais caro que ir de Dublin para Londres de avião. Em alguns posts atrás eu coloquei os preços das minhas viagens e muitas pessoas não acreditaram, por exemplo, que eu fui para o Marrocos pagando menos de R$ 40 (sim, 40 reais) ida e volta. Enfim, o poder de compra aqui é muito maior, fazendo com que uma pessoa que tenha um sub-emprego possa viajar, ter um Iphone, se vestir bem e até mesmo comprar um carro considerado de luxo para os padrões brasileiros. Mais uma vez acredite: aqui você pode pagar por uma BMW o mesmo tanto que pagaria por um carro popular aí.

Hábitos

Dizer que os Europeus são frios é relativo. Depende da pessoa. Já conheci pessoas frias e pessoas amistosas. Acho que essa fama vem do fato de que as pessoas não curtem muito invadir a privacidade das outras por aqui. E isso é bom, pelo menos para mim. Não estou generalizando, mas no Brasil as pessoas tem a mania de repararem no que as outras estão fazendo e estão vestindo. Você que está lendo isso com certeza já conheceu alguém assim. Aqui você veste o que quiser e ninguém repara. Talvez pela popularização e por as pessoas terem mais condição de comprar produtos de marcas consideradas caras aí no Brasil, como Lacoste e Calvin Klein por exemplo. Enfim, nas ruas você vê pessoas dos mais variados estilos (de simples até bizarros) e todo mundo convive bem com isso. E se você acha que você bebe muito e é o cara, prepare-se para ser humilhado pelos irlandeses. Falo com tranquilidade: ninguém ganha deles nesse quesito. No meu vôo para Madrid fui conversando com um senhor irlandês e ele me disse que bebe de 20 a 25 pints (567 ml!) por noite quando vai em algum pub. E tirou onda quando eu falei que bebi no máximo 4 e já pedi água. Eles bebem muito. Pense num MUITO e multiplique-o por 1000. Acho que, ao longo das décadas, o fígado deles ganhou algum tipo de defesa e resistência contra largas doses de álcool. Darwin ficaria feliz em saber disso.

Ignorância e burocracias

Se você pensou que eu fosse apenas mais um imigrante deslumbrado, que começou a ter desprezo pelo Brasil, farei você mudar de idéia. Algumas coisas fazem você sentir orgulho do seu país, mesmo com todos os problemas. Para começar, o brasileiro é mais inteligente e criativo. E não é pouco, é muito mesmo. A ignorância dos Europeus em alguns aspectos é lamentável. E muitas vezes não é soberba, é burrice mesmo. Por exemplo, creio que nas escolas eles não estudam Geografia, História. Muitos não sabem NADA sobre o que existe fora dos limites da Europa. Muitos brasileiros se dão bem por aqui em áreas como Publicidade, justamente porquê os nativos possuem uma visão limitada sobre várias coisas e pecam no quesito criatividade. E se você tem aquela ideia de senso comum que, por ser um país da Europa, automaticamente é mais evoluído que o Brasil, engane-se. Ou você acha que ir tirar dinheiro no banco e receber do atendente um papel escrito a mão com o valor é normal? Pois é, o banco aqui é algo engraçado. Tudo feito na mão, aos moldes da idade média. Só faltou uma caneta de pena para assinar. No quesito Tecnologia da Informação nosso país ganha de lavada. As relações de trabalho também possuem fatores estranhos, como o fato de você trabalhar sem contrato e sem saber do que você tem direito ou não de receber. A informalidade reina. E muitos empregadores ainda acham que nós brasileiros estamos passando fome e pegamos qualquer emprego sem reclamar da carga horária e do salário. Mal eles sabem que grande parte trabalha para financiar diversão e viagens. E muito menos sabem que, no aspecto empregatício, nosso país é muito mais organizado e transparente que o deles, mesmo com a desigualdade existente.

Até o próximo post!

See ya!

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Marrocos – Final Chapter – Ouarzazate, a Hollywood da Africa

Depois de alguns problemas (incêndio no meu prédio), 2 semanas sem energia e internet, estou de volta para colocar o Viajante Bob em dia. Bem atrasado por sinal, já que ainda estou no Marrocos….mas essa é a última parte dessa épica aventura. Depois da longa e tensa viagem, mostrada no último vídeo, desembarquei em Ouarzazate, cidade localizada a 208 km de Marrakech. Ao chegar no local, uma paz imensa. Cercado por um imenso deserto e com a companhia do belo Atlas ao fundo, Ouarzazate é um tesouro escondido no norte da África. Uma cidade bem cuidada, bonita e com uma arquitetura exótica. Ao descer do ônibus, fui perguntar onde era o hostel que havia reservado. Para minha surpresa e aflição (que minutos depois virou felicidade) o hostel ficava a 25km de Ouarzazate em Ait-Ben-Haddou, uma cidade fortificada que possui menos de 1000 habitantes, muito famosa por ser cenário de vários épicos do cinema, assim como Ouarzazate. Teria que pegar um táxi até o local. Como ficaria fora de mão para voltar até Ouarzazate de lá, já que gastaria tempo (planejei apenas 1 dia e meio no local), decidi procurar um locar para ficar. Pedi indicação e entrei em um hotel para ver o preço. Fui levado até um quarto e, quando o funcionário abriu a porta, já pensei na facada que seria. Um quarto imenso, com uma arquitetura composta de colossais faraós no teto, todo de gesso, televisão de mais de 50 polegadas e um banheiro gigante. O preço? Bom, posso dizer que ainda continuei rico no Marrocos, pois paguei 250 dirhams por uma noite. Como dividi com meu primo, deu mais ou menos 11 euros pra cada. 11 euros pra ficar em um hotel de luxo, com serviço de primeira. Com certeza essa é a viagem que mais passei bem em toda minha vida até o momento. Resolvido o problema do hotel, fui dar uma volta na cidade. Fomos até o mercado, e de lá saiu uma das histórias mais engraçadas de todo esse intercâmbio até agora. Entrei em uma loja de um vendedor gente boa chamado Jahad, de uns 25 anos, que não era chato igual a maioria dos marroquinos, já que não ficava tentando empurrar seus produtos a todo custo. Conversamos por mais de 1 hora sobre vários assuntos e, no meio disso tudo, fui comprando algumas coisas. Segundo ele, diversos atores como Leonardo Dicaprio, Julia Roberts e Tom Cruise já compraram em sua loja, já que a cidade é sempre cenário de diversos filmes. E ele disse que eles adoram lá, já que ninguem fica parando eles na rua como em grandes cidades. Enfim, meu primo comprou 2 lenços marroquinos e eu um turbante e um chaveiro. O valor final, depois de vários leilões, foi de 180 dirhams (16 euros mais ou menos). Fechado o negócio fui até um caixa tirar o dinheiro, e o cara foi comigo. Nenhum caixa estava funcionando. Óbvio que o cara desconfiou, mas ficou tranquilo. Disse para tentarmos no outro dia e voltarmos lá que os produtos estariam separados. Ofereceu até para sairmos e tomarmos uma cerveja na cidade, mas aí já foi demais (rs). Enfim, no dia seguinte consegui sacar o dinheiro e voltei na loja. Outro vendedor estava no local. Esse, espertão como a maioria deles, cheio de papo. Me apresentei e falei dos produtos que havia reservado. Ele me perguntou por quanto eu havia fechado com o Jahad. Falei na lata: 150 dirhams. Era 180. Como sabia que esse preço final ainda não estava muito baixo, já que eles não saem perdendo facilmente, fiz isso. Ele disse que estava tudo ok e ficou tentando empurrar outros produtos para levarmos. Tempo foi passando, passando….eis que, repentinamente, um cara entra na loja e me entrega um celular: “For you”. Não entendi nada e atendi. Era o Jahad, dizendo que era 180 e não 150. Fiquei paralisado na hora, fingi que não estava nada acontecendo e falei: “Ok”. Entreguei o celular e os 2 estavam me olhando. Precisava pensar numa saída rápida…e consegui. Falei: “Eu sei que era 180 dirhams, falei 150 porquê ainda não havia decidido se levaria esse turbante de 30.” Não sei se engoliram bem, mas colou. Riram e me pediram a diferença. Em menos de 5 minutos já estava longe de lá. Outro fato engraçado foi eu ter parado dentro da casa de um marroquino que dizia falar 6 línguas (sim, ele falou algumas coisas em português) que me parou tentando vender uma tour no deserto e seus tapetes e bugigangas (o que deixou meu primo puto hahaha). Abaixo, o vídeo final, que mostra alguns pontos turísticos e a parte mais fantástica: a visita ao Atlas Studio, um dos maiores estúdios de cinema do mundo, erguido no meio do deserto. A cidade também abriga o CLA Studios, outro grande estúdio de cinema.

See ya e aguardem uma nova saga: England!

=)

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Scream for me Belfast!

Ontem fiz uma rápida visita em Belfast, capital da Irlanda do Norte. O motivo foi nobre: o show de uma das bandas de Rock que figuram no hall das que estão firme e forte em atividade há décadas: Iron Maiden. Pela terceira vez eu fui assistir o show dos cinquentões, que mais parecem ter vinte anos em cima do palco. A turnê The Final Frontier passou por mais de 20 países e vai terminar em Londres nos dias 5 e 6 de agosto. A banda tocou 5 músicas do novo cd, The Final Frontier. O resto do setlist foi dividido entre clássicos de várias épocas. Como disse, foi o meu terceiro show e iria muitas outras vezes. A estrutura e a precisão com que a banda executa as músicas, liderada pelo incansável Showman, piloto de avião, historiador e vocalista Bruce Dickinson, é fantástica. Um espetáculo em todos os sentidos.

Confira abaixo um vídeo com os melhores momentos das minhas filmagens.

See ya!

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Experiência de vida: de aspirante a comunicólogo a catador de lixo

Quando você faz um intercâmbio, sua vida “zera” no sentido profissional. Você, recém-formado, que trabalhava em um escritório com ar condicionado e cafézinho no Brasil e veio para Dublin para aprender inglês, uma realidade: você não é nada aqui no ponto de vista profissional. E, se você não tiver feito um caixa gordo para financiar toda sua estadia na Europa, não depender de mãe e pai para ter dinheiro (ou não querer que eles mandem), prepare-se para enfrentar o hardwork. Há varios tipos de sub-emprego em Dublin: cozinha, limpeza, coletar copos e sujeiras em pubs, vender jornal na rua, etc. Quando cheguei aqui e conversei com pessoas a respeito do assunto, várias delas comentavam sobre um em especial que muitos brasileiros vão: a limpeza da área em que ocorreu o Oxegen, eleito o melhor festival da Europa.

A edição desse ano ocorreu nos dias 8, 9 e 10 de Julho, contando com a presença de Black Eyed Peas, Foo Fighters, Coldplay, Arctic Monkeys e várias outras famosas atrações. É aquele típico festival em que as pessoas acampam e passam 3 dias por lá curtindo. O trabalho de limpeza estava disponível por 6 dias: 3 nos dias do evento e 3 para a limpeza do local no pós-evento. A opinião é unânime: é um trabalho extremamente duro e tenso. Apliquei para a vaga e fui contratado pela agência Adecco para trabalhar nos 3 dias do pós-evento, das 7h30 as 18h. O pagamento foi de 8.65 euros por hora, o mínimo aqui. Os escolhidos teriam que pegar um ônibus em frente ao Trinity College (e pagar 6 euros por dia por ele…) para irem até o local. O evento ocorreu em Punchestown, a uns 50km de Dublin. Uns 50 minutos de viagem. Enfim, fiz uma preparação física e psicológica, acordei às 4h50 e fui. Umas 100 pessoas estavam lá. 80% de brasileiros (novidade…) e mais uns paquistaneses, tailandeses, argentinos, poloneses e outros. O ônibus seguiu seu trajeto. A primeira visão que tive foi surpreendente: o local é imenso. É uma espécie de aras e a maioria das instalações do festival estavam lá. Palcos, tendas, lojas móveis. Vestígios de uma fantástica estrutura. Uma mini-cidade. De cara eu não vi nenhum lixo. Mas, quando o ônibus começou a contornar o local e chegou em uma determinada parte, a visão foi aterradora. Um mar de lixo a perder de vista. Todos no ônibus começaram a rir. Eu também ri (deveria ter chorado). Tenho certeza que você leitor ainda não conseguiu ter noção de como existe tanto lixo assim em um festival para que 100 pessoas passem dias limpando, e eu vos digo: a quantidade é colossal. Achei uma foto abaixo que dá para ter uma noção de como é.

Viu? Agora multiplique isso por 15, 20. É isso mesmo. Parece que não vai acabar. Desci do ônibus e já recebi um colete verde e um saco de lixo. Haviam equipes de várias cores. Colocamos as luvas e fomos em direção ao oceano de resíduos. Neste momento a visão foi ainda pior, já que caminhamos no meio dele e deu para ver que o trabalho seria árduo. Havia muitas áreas de camping e é óbvio que você deve imaginar a quantidade de porcaria que as pessoas deixam nesse local. Chegando ao local de início, fomos posicionados em fila em frente a uma primeira área completamente suja. Havia uns 6 supervisores. Irlandeses e poloneses. A ordem era seguir em linha catando o lixo que tinha na sua frente, sem atravessar a linha do colega ao lado. O Start foi dado e começamos a enfrentar o temível Job. Latas, garrafas, todo tipo de alimento, camisinhas, plásticos, vidros, pedaços de óculos e objetos pessoais, roupas, tênis e outras centenas de resíduos. É catar, catar e catar. Imagine abaixar por horas no sol escaldante (fez mais de 20 graus por aqui nesses dias que trabalhei) catando porcarias na grama e no barro, colocando no saco, enchendo o saco, amarrando o saco, pedindo outro e assim sucessivamente. Um ciclo que exige um bom físico mas, sobretudo, uma ótima preparação mental. Você passa o tempo INTEIRO escutando os supervisores gritando no seu ouvido. “C´mon guys, c´mon!!!!”, “Look at the small bits behind you!!!” “Hey, you missed this small bits here!”, “Side by side!, “Go ahead in your line!!”. Essas frases e outras ainda ecoam em minha mente. Abaixo, algumas fotos do “purgatório” (como alguns chamam, pois quem encara e aguenta tudo, consegue qualquer outro tipo de trabalho aqui). Na última eu estou ali no fundo.

Os supervisores ficavam atrás da nossa linha verificando se deixávamos algo para trás. E acredite, até por uma migalhinha do tamanho de uma formiga eles faziam você voltar e catar. Foram 3 breaks: 2 rápidos para tomar água e 1 para almoçar. Almoçar? Não, eles não deram almoço. Você tinha que levar e comer onde o serviço parou, ou seja, sentar na grama e no sol quente. Bóia-fria style. Improvisei uns sanduíches naturais e segurei bem. No primeiro dia foram 8h30 contadas de trabalho. O segundo dia foi mais difícil, já que acordei com dores nas costas e nas pernas. Trabalhei o meu mental ouvindo Gonna Fly Now, tema do Rocky Balboa, por várias vezes antes de chegar lá. A primeira abaixada foi complicada. Quase caí. Com o passar do tempo o cansaço vai fazendo você executar sua tarefa mecanicamente, como um zumbi. Chegou um momento que vi pessoas andando de joelhos para catar o lixo. Outros que não aguentavam e sentavam. Algumas jogaram a toalha não voltando depois do break ou não indo no outro dia. Mas eu resisti bem. A parte boa do trabalho era a animação dos brasileiros. Músicas, piadas e frases como “Tá vendo, vem pra Europa achando que tá abafando e estão aí catando lixo!”, “Saí do escritório com ar condicionado pra catar merda!”, “Ei, supervisor, vai tomar no…!” fizeram o tempo passar mais rápido. Tinha ouvido falar também que era possível achar várias coisas que os festeiros deixam no local como telefones, dinheiro e etc. O meu saldo foi até bom: um Rayban original (e caro) novinho e 7 euros. Vi um cara do meu lado achando 50 euros. Fiquei sabendo de pessoas que acharam 100, 200, 300 euros, Iphones e Blackberries. Enfim, quando a merda toda foi limpa todo mundo bateu palmas e os carrascos supervisores agradeceram a todos, dizendo que fizemos um brilhante trabalho. O que aprendi com isso? Muito. Não vou dizer que recomendo esse trabalho para ninguém. Cada um sabe do seu limite. Cada um sabe o que está disposto a enfrentar. Eu digo que foi um experiência que nunca mais vou esquecer. É uma experiência que faz você valorizar coisas que talvez não estavam no seu raio de visão pois, com certeza, a grande maioria dos que estavam ali tem uma certa comodidade, um suporte da família e passagem de volta garantida para voltar para casa. Além de muitas serem formadas. Eu faria tudo de novo e com um sorriso estampado no rosto. E chego a uma conclusão: depois disso não vou reclamar mais de nenhum trabalho que tiver. Independente se for em um escritório com cafézinho ou se for catando lixo ajoelhado. Os 2 são dignos da mesma maneira.

See ya!

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Marrocos – Parte 3 – Ouarzazate, a Hollywood da África

Hello friends,

Fiquei alguns dias ausente devido às visitas de amigos do Brasil. Viagens, saídas, guia turístico por alguns dias. Minha rotina nesses últimos dias foi essa. Enfim, voltando aos relatos de viagem, vou finalizar sobre Marrocos. Na segunda parte dessa inesquecível aventura, fomos até a cidade de Ouarzazate, a 208km de Marrakech. Porque Ouarzazate? Bom, antes de ir para o Marrocos eu planejei que ficaria 1 dia e meio em Marrakech e 1 dia e meio em outra cidade. Quando fiquei sabendo sobre Ouarzazate, não pensei meia vez. A cidade é conhecida como a Hollywood da África, já que foi cenários de inúmeros épicos do cinema. Só citando algumas películas rodadas lá: Gladiador, A Jóia do Nilo, Ben-Hur, Asterix e Obelix: Missão Cleópatra, As Cruzadas, Prince of Persia, Alexandre O Grande…e vários outros. Existem tantos cenários naturais, no meio da cidade, quanto feitos dentro de estúdio, já que existem 2 estúdios de cinema no local: O Atlas Films e o Cla Studios. Tivemos a oportunidade de visitar o Atlas Films e passar por vários sets de filmagem históricos. Uma experiência marcante, um verdadeiro sonho realizado, já que sou fanático por cinema e pretendo trabalhar nesta área. Falando da cidade em si, é um lugar extremamente exótico. A cidade fica no meio do deserto. É possível ver a imensidão de areia cercando o local. Um lugar mágico. Mas, para chegar nele, não foi nada fácil. Fomos de ônibus pela empresa Supratours. Pagamos 80 dirhams ida e volta, ou seja, 7 euros. O motivo de não ser fácil? Assista o vídeo da primeira parte abaixo e entenda. O palíndromo “Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos” agora fez sentido para mim. No próximo post eu falo sobre o estúdio de cinema, as confusas negociações com os espertos vendedores marroquinos e a estadia em um hotel de luxo no local (a preço de banana. Continuei rico no Marrocos.)

See ya!

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